terça-feira, 15 de novembro de 2011

Despedida



Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.



Martha Medeiros

Sem dor

"E quando a gente menos espera, o passado de dor serve de exemplo para que outros não caiam na mesma armadilha"
Eu nunca imaginei que você me serviria de exemplo pra alguma coisa boa.

Eu nunca imaginei falar de você com tanta facilidade e sem dor.

Sem dor nenhuma.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Hoje.



E o que mais faz falta não é uma boca pra beijar,
mas alguém com quem compartilhar.
Compartilhar o dia, os sonhos, as loucuras.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cupido

_ O que eu faço Julia? E agora??


Julia não conseguia pensar direito. Essa sua amiga lhe fazia cada pergunta, se enfiava em cada enrascada que nem mesmo Julia com todos os seus traumas e desilusões era capaz de imaginar.


_Não sei, mas enquanto não sabemos, você fica aí quietinha...


Na verdade Julia sabia exatamente como sua amiga poderia resolver aquela situação. Isso porque ela passava pelo mesmo e fazia muito, muito tempo.


A diferença é que ninguém, ninguém a não ser seu travesseiro sabia disso. E ela queria que continuasse assim.


Julia não sabe como mas, depois de muito tempo de paz e sossego em seu coração o abençoado do cupido aprontou novamente. E, detalhe, ele deveria estar com mal de parkinon, não é possível, porque o que aconteceu, Julia jamais teria conseguido planejar.


Ele nunca, nunca foi alvo dos olhares ou atenções dela. Nunca - que isso fique bem claro- até porque quando crianças ele não fazia o tipo dela e quando se reencontraram já adultos ele estava comprometido.


Acontece que sabe-se lá porque o relacionamento dele não deu certo. E ele voltou a desfilar no parque dos solteiros. Nem assim ele e Julia se interessaram um pelo outro, pelo contrário...


Ele logo arrumou uma namorada, e isso queimou mais ainda seu filme com Julia que passava por ele bem longe.


No entanto, ele não deixou nunca de usar seu charme de pistoleiro e sempre que a encontrava soltava "aquele" olhar.


Num dia de distração Julia devolveu o olhar.


Num outro dia já havia sorrisos e quando menos esperava, lá estava ela, sim, ela: Julia, pensando nele.


Mas como isso foi acontecer? Ela perguntava-se a si mesma.


Mas não adiantava. Quanto mais pensava como se deixou ser levada, mais gostava de deixar os pensamentos levá-la...


_Julia!! Você está me ouvindo??


Por um momento Julia quis dizer a ela que aquilo era loucura e que sua amiga deveria sair daquela situação imediatamente. Mas como dizer isso à ela se a própria Julia não tinha forças pra fazê-lo?


_ Fique aí. Quieta. Deixe passar. Deixe esse sentimento passar. Ele vai passar!



(Era o que ela vivia dizendo a si mesma todas as noites, todas as noites.)

domingo, 6 de novembro de 2011

Tão longe... e tão perto...



Era isso que ele me dizia sem saber que dizia. Mas dizia. Com o andar de mãos nos bolsos, com o jeito acanhado de cumprimentar, o olhar encabulado de quem não quer chamar atenção para si. Mas chamava. Tudo em mim respondia aquele chamado involuntário que já dobrando a esquina, lá ainda meio longe, meio embaçado na vista, bradava silenciosamente: sonhe-me nas suas noites mais escuras. E eu sem pestanejar o sonhava nas minhas noites mais escuras, nas mais claras, mais frias, mais quentes...
O sonhava como uma esperança bonita de que essa velha companheira solidão se dissipasse como se desmancha um desenho na água. Eu o sonhava como aquele impossível que a gente insiste em querer apenas para sentir a fina tortura de não poder ter. Mas, engano, eu o tinha todas as noites nos meus sonhos mais febris. Eu o tinha como algo meu, feito exclusivamente para minha forma, só cabia nas minhas medidas. E me ardia como aqueles amores confusos de personagens apressados de novela das oito. Mas eu nunca reclamei da ardência, nem da ausência, nem dessa ilusão de continuar alimentando sonhos. Eu o tinha guardado onde nada podia desfazer o laço. Longe demais para um toque, perto demais para um toque.


Tirado de 187 Tons de Frio


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Não agora...

Quando eu me vejo pensando em você sinto medo.


É sinal de que não estou no controle da situação


E eu detesto não controlar meus sentimentos.


Pensar em você é ignorar uma série de sinais vermelhos e piscantes


É ignorar que o mundo conspira contra nós


É assumir uma loucura sem precedentes.


É me arriscar de novo sem saber se vale a pena


E isso eu não queria, pelo menos não agora...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nem pense nisso...

E agora, o que vc quer? Não me venha com esses olhares furtivos, com esse sorriso gostoso e nem pense sequer em dar um passo em minha direção.


Você já teve essa chance lembra? Eu abri a porta, escancarei... E você passou reto, nem sequer olhou pra ver o que tinha dentro dessa casa... Então agora não queira bater nessa porta. Não tente abri-la só porque se deu conta que morar aqui seria bom.


Eu não entendo você... Num dia me faz ignorá-lo; no outro odiá-lo e no outro consegue me deixar curiosa, querendo mais dessa enigmática presença...


Eu sinceramente não entendo...